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Você tem pensado em qual está sendo a sua escolha nesse momento?

Estamos assistindo vários movimentos empresariais nos últimos tempos e tem me chamado muito a atenção o fato de que muitos líderes, empresários e gestores, que mesmo desafiados pelo mercado, tinham uma certa dificuldade de fazer acontecer tais movimentos, mas agora, como num passe de mágica, muitos estão realmente fazendo acontecer.

Movimentos essenciais e necessários não só para o momento e isso nos faz ter em curso doações, projetos solidários, acordos de trabalho, ajustes de contratos, negociações de diversas ordens que estavam paralisadas, inversões de fluxos de trabalho, projetos de inovação, ajustes e adaptação, também fazem parte muitos outros que podemos citar aqui, mas não deixa de ser impressionante o volume atual.

Em geral, existia um movimento anterior que centrava as realizações em atividades triviais, em vez do que realmente era importante e significativo, porém tudo isso que vem sendo realizado está muito em função do momento, ou seja, da pandemia mundial.

De uma certa forma afirmo com toda convicção que tenho, que, tais movimentos precisavam realmente ser realizados, independente do momento que estamos, porém de alguma forma a escolha era pelo caminho pavimentado pelos verbos atenuar, abrandar, amenizar, mitigar, aliviar e outros mais nessa direção.

Por mais que o COVID-19 leve toda a culpa numa primeira instância, precisamos analisar mais em nosso tribunal da razão, e de forma racional e pura, sem influência de nossas tendências, pois em verdade percebo que muitos líderes, empresários e gestores ainda se sentem impotente diante desse momento, mas não será a impotência algo familiar?

De fato, o sistema imunológico empresarial já estava sendo afetado por algum tempo e de forma ininterrupta, mas sabemos que profissionais também estavam sendo afetados da mesma forma por suas decisões ou falta de ações e aí que mora o tema central desse pequeno texto, a gênese das suas escolhas que são a origem de tudo no dia a dia e mais, se elas atualmente estão sendo motivadas pelo medo ou pela razão? Pois isso define o tipo de decisão ou ação.

Desde o início dos tempos a humanidade faz escolhas, mas em geral, ainda pelo medo e o filósofo romano Sêneca alertava: “Enquanto desperdiçamos tempo hesitando e adiando por medo, a vida se dissipa”.

Bom é essa a condição mais comum que o medo nos coloca, a hesitação nas ações, portanto aprender a entender e superar o medo é muito importante para seguirmos adiante sem retroceder, com certeza a falta do conhecimento e da iluminação da razão são umas das principais barreiras para que se possa viver plenamente, realizando o que tem que ser feito.

Alguns estudos na linha da neurociência realizados por pesquisadores americanos mostram que as pessoas não lamentam as coisas que fizeram, mas as que deixaram de fazer e por isso o arrependimento e a culpa neurótica tem sido um fator que tem atormentado um bocado cada um de nós.

Infelizmente ainda deixamos para a última hora coisas importantes, dessas que precisam ser feitas e isso tudo porque a escolha que temos feito ultimamente tem sido pelo medo e não pela razão e por isso o COVID 19 passa a ser o grande protagonista do momento, obrigando todos a se mexerem.

Vale comentar que toda vez que relaxamos, nos sentimos esgotados em conjunto com um sentimento de incapacidade, em geral, podemos entender que isso é um indicador de que o medo está prevalecendo em nosso sistema de escolha, porém vale relembrar que o medo tem um papel natural de nos alertar e na medida assertiva ele é um excelente aliado, mas fora dessa medida, se faz necessário entender mais sobre ele e nesse instante preciso fazer uma simples divisão para aprofundarmos mais nesse assunto, que é a divisão dos estágios do medo.

Embora existam vários estágios vou me concentrar e comentar rapidamente dois, sendo eles relacionados ao processo evolutivo.

Um é o estágio inicial que é reconhecido como insegurança, nesse estágio o medo nutre incansavelmente o nosso desejo ardente de acertar e o receio de desagradar, mas de forma simultânea e com isso agimos com a tendência de fazer tudo extremamente certo, como se fôssemos perfeitos e insuperáveis e talvez esse seja um dos maiores aliados da nossa não realização daquilo que precisa ser feito.

Outro estágio do medo é quando ele começa a se tornar de grandes proporções e nos leva a agir destemidamente ou seja a ações desesperadas e impensadas, como se tudo fosse acabar, pois a sensação é de agora ou nunca, e pasmem, muito do que estamos assistindo está pautado nessa escolha, até que inconsciente.

Repare que uma coisa é a pressa que estamos realizando e outra é a velocidade e são elementos completamente distintos, com fundamentos e consequências diferentes, capazes de nos fazer não perceber e colocar tudo na classificação genérica do medo, por falta até de aprofundamento, mas existe outras vertentes do medo inclusive o que nos faz paralisar, tanto que o poeta grego Hesíodo menciona esse problema em seu poema “Os trabalhos e os dias”:

Não adies para amanhã, nem para depois de amanhã;

Celeiros não se enchem por aqueles que postergam e dedicam seu tempo ao infrutífero;

É no cuidado que o trabalho prospera;

Paralisar ou adiar o trabalho é lutar com o medo e a ruína.

Posso aqui inclusive afirmar que lutar com o caos instalado pelo medo é algo de extrema insanidade, pois iremos colocar todas as energias e dificilmente sairemos do lugar e já presenciei situações como essa diversas vezes.

Contudo isso comentado, gostaria de lembrar que todos temos uma nova chance para mudar o todo ao nosso entorno, começa assim, quando...

·        Paramos para avaliar.

·        Deixamos de negar, justificar e se defender.

·        Passamos a pensar, refletir e aceitar o momento de forma madura.

·        Ligamos a nossa razão pura e começamos a acionar a nossa consciência.

Com isso feito, podemos nos preparar para recomeçar, mas agora pensando muito mais e serenamente na escolha que temos de fazer a frente e suas consequências.

Agora aqui para nós...

Medo ou razão, qual será a sua escolha?

Grande abraço e boas reflexões para um vir a ser muito melhor do que o atual,

Keine Alves 

Líder educador e pesquisador

 
 
 

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