Perder tempo por não saber o que fazer, gera custo.
- Keine Alves

- 30 de jan.
- 4 min de leitura

Essa é uma afirmação que categorizo como ousada, pois já tem um pressuposto inserido, a saber: de que você realmente perde tempo por não saber o que vai fazer e essa pressuposição tem uma base não somente perceptiva, mas também científica, inclusive suas consequências fazem parte de um estudo que irei indicar e introduzir nesse texto em conjunto com o tema central, que são algumas razões que contribuem com a perda de tempo e consequentemente de dinheiro.
Durante algumas reuniões virtuais, comecei a notar que uma boa parte das pessoas que conversava não sabia por onde começar a tratar suas atividades em função da mudança brusca que sofreram devido ao isolamento social imposto de forma repentina.
Eram tantas atividades que só de pensarem nelas, já se sentiam cansados, uma outra pessoa comentou que tinha tantos e-mails, mensagens de WhatsApp e grupos para responder que em seu olhar, ficava até em dúvida para escolher por onde começar. O engraçado que ao ser questionado sobre a ordem de prioridade, a justificativa quase que imediata era que, tudo era urgente ou importante concomitantemente.
Com isso, comecei a ver o quanto os casos a minha frente revelavam uma alta taxa de improdutividade durante a nova rotina de trabalho, pois a ineficácia e a angústia por uma paralisia decisória em função do volume se revelavam de forma clara e assertiva.
Todos nós que somos líderes, empresários e gestores queremos ser capazes de realizar as nossas demandas, ainda mais nesse momento e, desse modo, aproveitar melhor todas as oportunidades que temos, mas para isso é imprescindível falarmos de uma certa paralisia decisória que vem nos acometendo desde antes mesmo do COVID 19.
É fato que essa tal paralisia decisória resulta de um excesso de opções e de falta de informação, organização e objetividade do sujeito que necessita tomar uma decisão.
Todos os dias nos defrontamos com muitas decisões a serem tomadas, mas quando temos diversas opções, precisamos tomar uma primeira decisão, nem que for a definição do grau de prioridade.
O fato de não conseguirmos tomar uma decisão de forma rápida por ter que analisar todos os dados que temos, acabamos por consumir todos os nossos recursos cognitivos, desgastando, assim, a nossa energia cerebral e com isso nos sentimos cansados a ponto de não restar energia para fazer o trabalho real e isso não é uma questão de preguiça, enrolação ou conversa fiada, estamos na realidade identificando e dando nome para um problema que enfrentamos diariamente já há algum tempo.
Todos temos a consciência de que precisamos encontrar a solução para esse problema, mas precisamos também alertar que o ato de escolher diante de várias opções despertam um tipo de aversão pela complicação imaginada e com isso passamos a adiar as decisões e isso na prática é adiar as ações baseadas nessa decisão.
A dificuldade em tomar decisões e a perda de tempo não são os únicos problemas causados pela paralisia decisória e a ciência nos revela esses conhecimentos tão importantes.
Temos inclusive uma pesquisa que foi realizada para o “Journal of Personality and Social Psychology” em 2002 com o tema “Decisions and revisions: the affective forecasting of changeable outcomes” pelos pesquisadores Gilbert e Ebert que procuraram avaliar o quanto as pessoas se arrependem de suas decisões nessas condições.
Nesse experimento, os pesquisadores promoveram um anúncio oferecendo um curso de fotografia e durante o curso os alunos tiravam várias fotos, mas ao final eles eram avisados que poderiam levar somente uma de suas fotos para casa como recordação.
Um grupo escolheu ao final do curso sua foto, sabendo que não poderiam mudar de ideia, enquanto o outro grupo, teve a opção de escolher a sua foto, mas que poderia levar outras mais para alterar a sua decisão depois e um certo tempo.
Ao medir a satisfação dos grupos, o segundo que poderia alterar a sua decisão ficou bem mais insatisfeito que o primeiro, ou seja, o alto índice de arrependimento reforça o fato de que ainda não sabemos nos equilibrar diante de tantas possibilidades, escolher de acordo com a nossa condição de se comprometer por completo, isso é uma condição quase que “sine qua non” para lidar com essa questão humana.
O fato de existirem outras opções nos leva a imaginar: “E se eu tivesse feito uma escolha diferente?” Pensar em outras várias possibilidades nos deixa muito mais insatisfeitos do que poderíamos imaginar.
Portanto para combatermos esse tipo de problema, precisaremos aprender a arte de conscientemente ajustar as informações de forma que possamos não somente minimizar as opções de escolha, mas também de simplificar e sistematizar as informações para nos ajudar a solucionar esse problema de forma racional e consciente, não emocional, instintiva e quase que inconsciente.
Precisamos nos esforçar um bocado e buscar informações que nos ajudem realmente a tomar decisões e uma das ferramentas que podemos usar que serão fortes aliadas as ações já comentadas acima, são as ferramentas de gestão de tempo que poderiam nos ajudar a categorizar no tempo a melhor sequência, aliviando assim a pressão do tempo que nos auto impomos.
Outro elemento que pode nos ajudar com essa questão é a reposição dos nossos recursos cognitivos, e para isso necessitamos fazer pausas, desde regulares ou até programadas ao longo do dia para uma boa reflexão. Fisiologicamente as mesmas pesquisas revelam que comer uma fruta ou beber um suco também ajudam um bocado, mas a chave mesmo é criar ou fortalecer novos hábitos.
Agora, depois de todas essas informações...
Quanto tempo você vai continuar perdendo por não saber o que fazer?
Desejo a você uma boa busca de informações e uma excelente construção de novos hábitos para uma tomada de decisão muito mais assertiva do que a atual e com isso que você consiga diminuir os custos e ampliar resultados.
Grande abraço,
Keine Alves
Líder educador e pesquisador



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