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O que você tem aprendido ultimamente no trabalho?

Antes de falarmos sobre “o que” estamos aprendendo, vamos falar um pouco do como aprendemos. Aprender é o tema central desse texto que iremos abordar, mas também abordaremos alguns pontos de atenção que são sutis, porém entendo que todas essas informações, podem ser de extrema relevância para nós no ambiente de trabalho e no próprio processo natural de aprendizagem.


Isso posto, acredito que muitos já ouviram falar sobre o método Kaizen, ele funciona ao estilo “passo a passo”, mas na minha visão, também vale dizer que ele acontece aos poucos. Como diz um velho dito popular: “de grão em grão, a galinha enche o papo.


Em geral, o processo de aprendizagem passa por uma trilha desse tipo: de informação em informação, assim nós humanos construímos conhecimentos.


O mesmo método que usamos, até de forma inconsciente, para formar um novo aprendizado é o mesmo que empregamos para romper com a continuidade desse aprendizado e dar início ao processo do desaprender.


Portanto, a aprendizagem de forma universal nos coloca numa condição especial e de certa forma privilegiada, pois com isso, passamos a nos transformar pela aprendizagem em todas as áreas existentes da vida, pois ela é gradual e se mantida de forma contínua, se torna duradoura e de longo prazo.


No entanto, precisamos nos atentar não somente a aprendizagem, mas também “o que” estamos aprendendo, pois existe o aprender virtuoso que pode transformar um sedentário crônico em um atleta, um fumante num ex-fumante, um analfabeto em um alfabetizado, de um discípulo a um mestre e assim sucessivamente, porém, temos também as condições opostas ao aprender virtuoso, pelo menos em tese.


Feito esse preâmbulo, quero apontar um estudo super interessante que foi publicado na “Annual Review of Medicine”, nomeado como “Learned Helplessness” liderada pelo pesquisado Martim Seligman, que demonstra um tipo de aprendizado que ele chamou de impotência aprendida.

E olha que interessante, pois esse aprendizado, que traz um nome super realista, é caracterizado quando uma pessoa aprende a ser impotente e acaba por se convencer disso de forma determinística.


Para começar esse estudo Martin e sua equipe iniciaram um experimento em laboratório e de forma clássica utilizaram um hamster. Colocaram esse pequeno animal numa caixa para observá-lo e nessa primeira etapa a caixa que foi fechada com uma tampa transparente, para dar a sensação de que ele poderia através dos sentidos, ver uma saída e utilizá-la pois, empiricamente (pela experiência), pressupõe-se um aprendizado operacional nele que o levaria a saída da caixa.


No primeiro dia o hamster pulou várias vezes na tentativa de escapar, pois à luz de seus sentidos, em especial a visão, parecia mostra que era possível de ser realizado a fuga da caixa, mas ele sempre batia com a cabeça na tampa.


No segundo dia, ele fez menos tentativas para escapar e com o passar do tempo, curiosamente o hamster desistiu por completo do seu plano de fuga, mesmo depois que os pesquisadores removeram a tampa da caixa, ele deixou de tentar o mesmo processo, pois em tese, ele aprendeu tal impotência de suas ações de forma determinística.  


Esse poder de auto convencimento cristalizou a sua posição em relação aquela situação, pois segundo as análises realizadas das atividades cerebrais, as áreas acionadas foram sendo estimuladas nessa direção, isto é, percebeu-se a ativação das áreas responsáveis pela memória de longo prazo que se relaciona com a capacidade gerar  um novo aprendizado. Assim, há uma possibilidade de se perceber de que estávamos tratando um comportamento que poderia ser aprendido, com isso poderíamos facilmente compreender que tal aprendizado se acontece com esse animal também poderia abarcar outros seres vivos, inclusive nós humanos.


Posteriormente, no processo de desenvolvimento do estudo e aprofundamento, inclusive com seres humanos, outras etapas dos experimentos foram formando os dados da pesquisa que revelava que os sentimentos de infelicidade e a sensação do “eu não consigo” eram típicas de uma certa impotência aprendida.


Com isso, um outro estudo que adiciono a esse caso que é conhecido como o controverso “experimento da prisão de Stanford” realizado pelo renomado professor Philip Zimbardo nos demonstra o poder da influência coletiva, na qual ele nomeou de “mentalidade de rebanho” ou comportamento de “manada” a forma com que os indivíduos são influenciados a agir de uma forma contrária ao que acreditava-se que agiriam diante de um dilema ético, como por exemplo, tratar violentamente colegas de classe que estavam fazendo o papel de prisioneiros, mantendo assim nessa linha de experimentos apresentados.


Juntando uma coisa à outra podemos até ser sugestionados que a impotência aprendida pode acontecer inclusive no ambiente coletivo, constatando que a infelicidade é socialmente contagiosa. Ao se espalhar para outras pessoas, ela acaba sempre voltando ao seu transmissor original, criando assim um círculo vicioso de aprendizagem.


Levando isso para o mercado e para o ambiente de trabalho, notamos muitas vezes que durante a mensuração de indicadores e de sua partilha, os aprendizados que se propagam são os infelizes, que atuam exatamente nessa direção, pois apesar de provavelmente estarmos vivendo na era de maior abundância econômica da história da humanidade, os aprendizados negativos são os que mais são apontados e multiplicados, afogando pessoas em mares de preocupações e de falsos aprendizados.


O professor Philip Zimbardo mostra em seus estudos que o cérebro humano funciona sob diferentes perspectivas temporais e que podemos racionalmente ampliar a sua orientação para o futuro e ajustar a rota, pois podemos aprender a significar um novo aprendizado e nos leve a outro resultado, mas para isso precisamos nos perguntar:

O que é necessário desaprender para construir um novo aprendizado?

A partir dessa consciência podemos ver que o que a ciência afirmou, através desses estudos, que afirmam que nós, humanos, conseguimos criar aprendizados de forma constante, pois é da nossa essência, progredir de forma constante para o melhor.

Grande abraço e bons aprendizados.

Keine Alves 

Líder educador e pesquisador

 
 
 

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