Cultura, comunicação, ética e resultados nos negócios!
- Keine Alves

- 30 de jan.
- 4 min de leitura

Faz algum tempo que me interesso por esse tema da comunicação, em especial quando aplicado ao ambiente de trabalho e nesse caso em específico, penso que não existe espaço para desassociar esse em relação à ideia de cultura.
Como breve introdução, a palavra cultura é empregada nos dias de hoje com diferentes significados, é o que chamamos no meio filosófico de polissemia (multiplicidade de sentidos de uma palavra ou locução).
No primeiro e mais antigo sentido, cultura significa a formação do homem, sua melhora e refinamento.
No segundo sentido, mais recente, cultura é o conjunto de modos e pensamentos, cultivados e polidos, que costumam ser de acordo com cada civilização.
Contudo, se observarmos com atenção, podemos aferir que o segundo sentido da palavra cultura vem como uma forma de resultado, ou seja, um efeito que originará um sentido em relação ao outro.
É importante ressaltar para que não continue desapercebido, o agente operador desse processo de transformação de cultura, ou seja, quem conduz de um sentido para o outro, que é o ser humano.
Acredito que muitos já devem ao menos imaginar que uma das formas mais eficazes para se operar um sistema cultural, em especial, num processo de transformação é a comunicação e a educação que o ser humano aplica.
Portanto, para quem não acha que cultura, comunicação e educação não são relevantes numa empresa, convido a conhecer e investigar profundamente o caso da empresa americana Boeing que iremos abordar superficialmente a seguinte.
Para iniciar esse assunto, se faz necessário afirmar que quando aplicamos o verbo “mitigar” na comunicação e não no que realmente deveria, como os processos de produção e outros, passamos a não tratar o que deve ser tratado, elevando a omissão e o risco ao seu ponto máximo, inclusive por falta de conhecimento e maturidade.
Com certeza essa atitude passa pela ética comunicativa e de alguma forma isso também pode gerar prejuízos em grandes escalas, inclusive de ordem econômica como veremos adiante.
Ver o circo pegar fogo e nada fazer é um dos maiores erros que conheço e mais praticados no ambiente de trabalho e isso faz parte de uma contracultura, nem sempre consciente, mas totalmente equivocada, ligada aos sabotadores humanos, a deterioração do homem e ao vício comportamental que atingiu dirigentes dessa Cia e consequentemente suas equipes.
A Boeing é uma empresa sólida e com uma reputação internacional quase que inquestionável, inclusive admirada pelos seus clientes, mas nem tudo se resume a sucesso e flores no mundo dos negócios, pois mesmo com uma sólida cultura de segurança e qualidade ela se encontrava ameaçada no mercado.
Não podemos esquecer que o mercado está aberto para todos e isso realmente apimenta a boa e velha concorrência saudável e como nada é eterno, a Airbus vinha crescendo e se desenvolvendo e consequentemente criando cada vez mais dificuldade para a Boeing se manter na liderança.
A questão é que uma empresa que mantem uma contracultura, que não inova, que se porta de forma autoritária, que procura pegar atalho ao invés de tratar o que precisa ser tratado, a sua equipe perdia gradativamente o sentimento de pertencimento e a criatividade e com isso o grande poder da inovação, sofrendo as consequências de diversas formas.
Até que em 2019, duas aeronaves 737 MAX caíram com apenas cinco meses de uso, matando 346 pessoas. Inicialmente a culpa no primeiro acidente foi atribuída a Cia aérea e seus pilotos, pois a Boeing vinha tratando o caso como um erro humano.
Ao longo do decorrer da investigação do segundo avião, notou-se que na verdade, nos dois acidentes, os aviões apresentaram a falha logo após a decolagem no sistema MCAS.
Esse caso ficou tão famoso pela sua repercussão que virou até tema de filme na Netflix, que pode ser identificado pelo título a “Queda livre: A tragédia do caso Boeing”.
Uma das características da indústria aérea além da busca pela qualidade e segurança é o de não mitigar as informações em casos de acidentes no processo comunicativo, inclusive essa prática tinha gerado um período de muita tranquilidade para a indústria, em especial para Boeing que tinha até então o avião comercial de maior sucesso e segurança no mundo.
Vale comentar que a sua derrocada se inicia quando a atenção das lideranças da empresa está em outro lugar e não na comunicação e com isso uma postura diferente de seus valores começa a surgir, numa busca desenfreada na direção de objetivos divergentes de sua cultura e valores virtuosos.
Contudo, os investigadores acabaram por revelar como a Boeing foi responsável pelas tragédias ao priorizar o lucro em detrimento da segurança das pessoas e nesse processo que ainda está longe de um fim, a renomada agência Reuteurs publicou em seu site no mês de setembro de 2022 que a empresa irá desembolsar mais 200 milhões de USD sobre as acusações da comissão de valores mobiliários do USA por ter enganado seus investidores sobre o 737 MAX.
Os prejuízos acumulados na empresa chegam na ordem de 20 bilhões de dólares, com isso posto, é inconcebível ainda assistirmos empresas economizando no desenvolvimento de sua cultura, comunicação, educação e planejamento.
Como se diz por aí no dito popular, aqui se planta e aqui se colhe, qual está sendo a semente que está plantando?



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