A farsa do teatro corporativo!
- Keine Alves

- 30 de jan.
- 6 min de leitura

Precisamos dar um basta! É insustentável continuar em um mundo onde as cortinas do palco corporativo ocultam muito mais do que expõem, dando vida a um teatro não de autêntica expressão artística, mas de mera manipulação e ilusão.
Esta declaração de compromisso denuncia o teatro corporativo, uma farsa meticulosamente encenada, onde promessas vazias são aplaudidas e a inação junto com a omissão é ovacionada de forma silenciosa e sorrateira.
Convido você leitor a me acompanhar nesta jornada provocativa pelas sombras da duplicidade empresarial, onde o "fazer" é apenas um figurino desgastado pelo "parecer fazer", e a verdade se perde entre os atos de um roteiro escrito para enganar aqueles que desejam agradar e os que vivem o medo de desagradar.
Vamos conhecer alguns desses diversos atos...
O Teatro do "Finge que paga”.
Neste ato grotesco, muitas empresas por meio de seus executivos vestem a máscara da generosidade na relação com seus liderados e fornecedores, prometendo mundos e fundos num futuro distante e que no final, se pagarem, será com palavras e gestos encorajadores. Aqui, a realidade não passa de um cheque sem fundo, assinado com a tinta invisível da procrastinação e do não estamos no tempo correto para fazer esse investimento, claro, depois de ter conseguido seu êxito inicial.
Este é o palco das diversas negociações por remuneração, onde o compromisso financeiro se desfaz ao menor sopro da conveniência, deixando um rastro de desilusão e ressentimento velado. Como pode a confiança dos negócios sobreviver, quando as promessas são feitas de papel machê?
Por isso gastamos muito com contratos, cartórios e o mundo jurídico e talvez esse seja o verdadeiro problema por trás da crise de engajamento e entregas compromissadas.
Muitas empresas vivem tal indignação e quando se manifestam sofrem como efeito a sua troca por motivos banais, pois nesse jogo, ainda quem manda, é quem pode e obedecer a esta farsa, é coisa para quem “acha” que tem juízo, afinal, quem nunca presenciou uma grande mesquinharia?
O Teatro do "Finge que Faz"
Abram-se as cortinas para uma das mais cômica das farsas: a execução fantasma de tarefas! Quem nunca viu um profissional declamando com eloquência seus planos grandiosos, mas no palco, só o vazio responde ao chamado da sua falsa ação.
Quem nunca presenciou a falsa competência, do garanto que tenho tal conhecimento, mas no fundo nada existe.
Neste ato, a aparência de produtividade e competência é apenas um cenário pintado, atrás do qual não há nada além de desculpas e adiamentos. A miragem da agenda lotada, da falta de efetividade nas tarefas e ações e a audácia desta encenação não conhece limites, fazendo da frase "quase fizemos" um lema tão ridículo quanto patético em meio as entregas e finalizações daquilo que seriam grandes projetos. Quem nunca esteve numa empresa onde superar um desafio é um esforço quase que impossível?
O Teatro do Compliance e da impunidade
Neste drama, as normas e pactos são apenas adereços, usados para enfeitar o cenário e nada mais. Está na moda falar de alguns casos como esses e podemos citar vários e emblemáticos, pois quem nunca ouviu falar de corrupções, fraudes, assédio e outros tipos mais?
A impunidade é a verdadeira estrela, onde tudo se faz e nada acontece, gerando naqueles que fazem algo o amargo gosto, pois o que realmente importa é brilhar sob a luz da hipocrisia. Aqui, as regras, os valores e tudo ao entorno são maleáveis, contorcidas em um espetáculo bizarro de flexibilidade para chegar no que se quer, pois a grande verdade é que isso tudo opera o sistema de compensação da falta de competência para se construir o que se necessita de forma direcionada e objetiva.
Este ato revela o abismo entre o discurso e a prática, onde o compliance é tão autêntico quanto uma nota de três reais e por isso tem uma baixa adesão e credibilidade em diversas situações no Brasil. Esse é o mundo da impunidade, aplaudida nos bastidores, que sussurra a verdade sombria desta comédia grotesca de erros atitudinais. Quem nunca esteve numa situação de impotência?
O Teatro do medo e da subserviência
Em um baile macabro de poder, força e dominação surge o espetáculo da pobre, feia e coitada subserviência. O momento é de uma dança singela e arrepiadora ao som do medo. Aqui, a voz da independência é sufocada pelo manto da obediência cega. A voz da indignação é abafada pela necessidade de sobrevivência. A inovação é encarcerada nas masmorras do conformismo. Este palco é um monumento à covardia, onde a coragem de desafiar, é um papel nunca distribuído.
A subserviência, nesse teatro do absurdo, é a única saída aplaudida, pois a única coisa que assistimos diante dessa cena num ato de desespero é uma atitude feroz com acusações infantis e agressivas, mostrando claramente a falta de maturidade, racionalidade e inteligência emocional de uma pessoa astuta, sábia e preparada. Quem nunca teve medo de abrir o coração ser retaliado?
O Teatro do politicamente correto e do não reconhecimento
Aqui, as máscaras do politicamente correto são usadas não para proteger, mas para esconder. Frases como “eu não sabia” entrelaçada com a consciência do “eu poderia ter feito diferente” e outras desse calibre demonstram que o reconhecimento é uma moeda de troca não utilizada, pois o real valor não está na contribuição, mas na habilidade de não perturbar e de passar ileso.
Neste ato, a excelência é ofuscada pela sombra da mediocridade complacente, e o talento genuíno é trocado por uma diplomacia superficial e nojenta. Este é o teatro onde ser autêntico é um ato subversivo, e o mérito real é um figurante esquecido. Quem nunca concordou só para não criar um clima pesado?
O Teatro do Lixo na desordem organizacional
O caos inclusive visível reina supremo neste ato, onde a “desordem” é a verdadeira diretora da peça, mesmo que tentem escondê-la é fácil de se perceber o caos ali instalado. Aqui, a negligência com a organização e produtividade veste a capa da normalidade.
Na essência, a desorganização é erroneamente exaltada, escondida sob o véu das desculpas da falta de tempo, adotada como uma espécie de "jeitinho" para entregar o que se considera ser o melhor trabalho. Este culto ao improviso, popularmente conhecido como gambiarra, tornou-se a norma. Tal cenário marca a face da decadência, um espelho distorcido da teoria das janelas quebradas, onde o descuido se alastra como uma doença.
O teatro do lixo é um lembrete pungente de que, no palco corporativo, muitas vezes a desordem é o único ensaio que se realiza com êxito. Se houver dúvidas, basta observar as mesas ao final de um dia de trabalho e as agendas de atividades para os dias seguintes. Quem nunca abriu uma gaveta, um armário ou o servidor de arquivos e se deparou com aquela triste realidade organizacional?
O Teatro das normas na farsa do discurso da qualidade
Neste último ato, dentro de tantos outros a qualidade infelizmente se torna um espetáculo para "inglês ver", uma farsa encenada com a precisão de um relógio quebrado. As normas e regras, supostamente sagradas, são tratadas como meras sugestões, facilmente ignoradas em nome da conveniência em cada situação.
Este é o teatro onde os feitos medíocres recebem uma ovação de pé, e a excelência é relegada ao papel de coadjuvante. A qualidade, nesta comédia de enganos, é apenas um fantoche, cujos fios são puxados pela mão invisível da indiferença e zona de conforto, pois sabemos que qualquer tipo de trabalho exige esforço, inclusive o intelectual. Quem nunca fez algo somente para “inglês ver” que atire a primeira pedra.
Agora que já conhecemos alguns teatros corporativos, vamos pensar…
Para desmascarar o teatro corporativo, somos confrontados com uma verdade incômoda: A da nossa omissão diante da realidade empresarial e do profissional que nos tornamos muitas vezes, se assemelhando mais a uma farsa do que a parte de um empreendimento sério.
Este texto não é apenas um convite à reflexão, mas um desafio provocativo para desmontar esse cenário que tanto nos atrapalha de forma silenciosa, recusar os papéis pré-escritos e rejeitar a direção da complacência gera vida em abundância.
Penso que chegou o momento de redigir um novo capítulo, um em que a integridade, as ações autênticas e o justo reconhecimento do mérito ocupem o centro do palco, convertendo o teatro corporativo de um espetáculo de ilusões em um catalisador de progresso real.
É esse o ideal pelo qual batalho todos os dias, com a dedicação e a resiliência de quem sabe que cada momento é precioso e irreplicável.
Se tiver a coragem de embarcar nessa jornada, siga em frente. A recompensa é imensurável e verdadeiramente transformadora.
Keine Alves
Líder educador e pesquisador



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