A cilada nossa do dia a dia...
- Keine Alves

- 30 de jan.
- 5 min de leitura

Vivemos diante de um novo tempo, de fato, não compreendemos mais o que nos acontece ao entorno, pois estamos nos especializando em escolhas.
Pode até parecer bom ouvir que você tem a sua escolha, mas isso é uma verdade relativa, ou seja, em partes, por incrível que pareça, essa tal escolha atualmente não acontece da forma que deveria e tentarei em poucas palavras tatear tal questão para que isso fique claro.
Primeiramente, para que não me entendam mal durante esse texto, afirmo com veemência que sou sim a favor da tecnologia e acredito muito no seu papel de facilitadora e apoiadora do sistema humano, mas não acredito na atitude e no comportamento do sistema humano com a tecnologia atualmente.
Deixar a tecnologia a frente de tudo pode gerar algo que venha a merecer uma certa atenção e cuidado, inclusive se pensarmos de forma ética, para não falharmos de vez como seres humanos em essência, pois podemos até criar inteligências artificiais, mas não vejo como ter uma “consciência artificial” ou seja, essa tal consciência é de responsabilidade e caráter humano somente.
Atuar no dia a dia diferentemente disso, ou seja, desconectando a nossa consciência, poder ser de fato um grande problema, que pode se manifestar em curto, médio e até longo prazo, fazendo com que nós humanos passemos desapercebidos ao viver a máxima de Maquiavel de que “os fins justificam os meios”.
Vou seguir adiante explicando um pouco mais, pois de fato já estamos invertemos a atuação da tecnologia na prática, de uma forma brilhante e quase que imperceptível.
Em verdade, as escolhas que temos para serem realizadas estão limitadas, temos as opções já disponíveis, pois elas estão contidas num mundo prático e pronto, desse que já é sustentado pela distorção da falta de tempo que muitos dizem viver, inclusive por não saber lidar com a facilidade da tecnologia distorcendo seu verdadeiro propósito.
Um exemplo dessa questão do tempo, são pessoas que não tinham tempo para uma simples caminhada, mas graças a tecnologia, tiveram uma segunda chance na vida e no tempo e depois de vivenciar um infarto passaram a se ajustar e ter o tempo necessário para uma simples atividade física.
Contudo a pergunta que fica de fato é o que está acontecendo no nosso dia a dia? Parece simples tratar as coisas, mas o menu das escolhas que temos ao nosso alcance e que já se encontra configurado e pronto não se consegue atender a demanda do momento atual, esse que exige muito mais que uma solução pronta, batida e sem criatividade.
No futuro do grande passado pela frente e de acordo com as novas regras ocultistas dessa atualidade estamos sendo convocados a pensar muito mais, porém estamos vivenciando uma crise do pensar e isso tudo vem sendo estimulado pelo mundo das escolhas práticas e prontas, pois estamos aprendendo e bem, diga-se de passagem a ser um excelente escolhedor de situações prontas e infundadas, dúvida? Abra um aplicativo do seu Smartphone de comida por exemplo e veja se tem algo inovador, com um convite para se escolher o que irá ser feito ou algo do tipo.
Com certeza, em função da sua consciência humana, rapidamente você irá constatar que só existem itens prontos e já desenvolvidos para sua escolha, com a boa desculpa de que você tem que ter tudo a sua volta para não perder tempo. Será mesmo isso necessário? Até que ponto?
Essa realidade que não é virtual e nem aumentada e sim humana, vem nos condicionando a sermos escolhedores e não mais pensadores de solução, mas não para por aqui, esse é o ponto onde o mundo começa a se transformar em imagem, mas uma imagem falsa, que pode ser entendida verdadeiramente como uma miragem pela digitalização e virtualização do ser humano.
Essa motivação criada em grande parte por essa virada de importância do sistema técnico, transforma de uma forma indireta as ações de muitos humanos em ações de baixa contribuição, me incluo também nessas em determinadas situações em algumas vezes, pois realizações instrumentalizadas fazem com que o pensar desapareça lentamente e continuamente, ficando somente o impulso para a escolha e esse vai retornando a nossa primeira reação humana a de autopreservação e sobrevivência.
Sobreviver volta a ser o lema e com isso estamos diante de uma verdade que nos leva a confundir a condição de vida com a qualidade de vida e um exemplo claro é que o mundo que conhecemos foi se transformando lentamente em uma grande plateia e isso não retrata somente as redes sociais que já foram citadas por vários pensadores contemporâneos, mas também as mídias atuais.
Vidas sociais e profissionais são apresentadas com a característica singular de composição de um grande espetáculo e em algumas situações diria até que num grande coliseu.
Passamos a viver o dia em função dessa imagem distorcida da nossa realidade e da nossa essência em vontade e passamos a sustentar papéis que não são reais, tanto que ouvimos de forma comum o dizer: “Se eu ganhar na loteria, mudarei de vida.” Viver nessa dicotomia nos leva a pensar de um jeito e agir de outro, por isso os meios passaram a justificar os fins, nos tornamos mais reativos do que ativos e passamos a explorar mais do que desfrutar e nem percebemos esses movimentos, mas vamos aprendendo a sustentar esses papéis o dia todo.
Adentrar nessa cilada do dia a dia no leva ao mito da hiper eficiência, onde todos tem que ser, mas de fato não são e com isso nos conduzimos diretamente a construir uma cultura da imagem, onde fingimos ser sistematicamente o tempo todo.
Atuar nesse teatro, para uma plateia virtual ou não, nos leva a vivenciar alguns pontos para sobreviver como por exemplo:
· Fingimos saber mais do que sabemos...
· Fingimos ter entendido mais do que entendemos...
· Fingimos ser mais felizes do que somos de verdade...
· Fingimos ser mais bem sucedidos do que somos...
· Fingimos ser mais jovens do que somos...
· Fingimos ter mais dinheiro do que temos...
· Fingimos ser mais carinhosos do que somos...
· Fingimos amar mais do que amamos de verdade...
· Fingimos ser mais destemidos do que somos de verdade...
Enfim um mundo onde a aparência é o que importa, com isso o que nos resta é adentrarmos a área de eficiência tóxica onde temos que ter sucesso, que temos que ganhar o primeiro milhão, que temos que ser o melhor e temos que ter, ter e ter... Uma área de difícil sobrevivência, onde muitos vão sucumbir nas doenças do intelecto como a depressão e o burnout.
Novamente sem perceber, a cilada do dia a dia, nos leva ao combate e a arena de guerra, onde se não sair morto, sairá cego ou sem dente, pois a consequência é uma realidade de dente por dente e olho por olho e o ser humano não nasceu para isso...
Mas para que então ele nasceu? Ótimo, chegamos onde a cilada não nos deixa chegar, que é nos fazer boas perguntas e pensar sobre elas.
Por incrível que pareça, precisamos voltar a perguntar e pensar com maestria e depois disso, voltar a fase das escolhas para nesse momento começar a construir novamente uma nova direção que seja progressiva e não mais retroativa como estamos vivenciando nesse momento, pois sinceramente, é muito triste ver, empresas, negócios e pessoas retornando para um estado bem pior do que já tinham superado.
No fim a cilada do dia a dia transforma mercados, pessoas, empresas e negócios num grande equívoco onde a vida não dá certo, então atenção, pois não estamos na vida de bobeira, muito pelo contrário, estamos na vida para construir prosperidade e isso só acontece quando deixamos de brincar e levamos a sério a oportunidade que temos, sem piegas, desculpas ou mi mi mi.
Keine Alves
Líder Educador & pesquisador



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