Você já parou para pensar no impacto das decisões que a empresa toma hoje sobre o futuro?
- Keine Alves

- 9 de fev.
- 4 min de leitura

Essa reflexão não surge apenas de uma análise teórica, mas da minha própria experiência há mais de 25 anos atuando na área e observando, na prática, os efeitos da incoerência nas decisões estratégicas.
Com base nisso, apoio-me no pensamento de importantes pensadores e intelectuais que também estudam essa dinâmica e discutem os desafios das empresas da atualidade.
Portanto, neste artigo tenho como objetivo chamar a atenção para um erro óbvio, mas que passa despercebido por muitos que é a contradição entre discurso e prática na alocação de recursos na gestão estratégica das empresas.
Em um mundo corporativo cada vez mais dinâmico e competitivo, a coerência e a consistência na tomada de decisões são fatores essenciais para garantir a sustentabilidade de um negócio a longo prazo em especial no que se diz respeito a alocação de recursos financeiros.
No entanto, tenho observado em muitas empresas de médio e grande porte, inclusive as de renome, o surgimento de um paradoxo cada vez mais evidente no processo de alocação de recursos financeiros que é a aplicação invertida, ou seja, investimentos que se afastam do foco no cultivo do resultado, da sustentabilidade e consequentemente a perenidade da empresa.
Enquanto evidenciamos necessidades essenciais sendo negligenciadas, os recursos financeiros continuam sendo alocados de forma desalinhada ou, em alguns casos, aplicados sem uma estratégia clara de retorno, comprometendo não apenas o crescimento e a competitividade da empresa, mas também sua capacidade de construir uma trajetória sólida à frente o que a prepararia automaticamente para lidar com os desafios do futuro.
Percebo que as dificuldades são evidentes e crescentes, mas essas também são frequentemente ignoradas e para deixar claro as mais evidentes que notei são a falta de engajamento da equipe, a tratativa de clientes, os processos internos engessados e a baixa inovação de soluções que são sinais claros de que algo está errado, mas muitas vezes são simplesmente ignorados.
No entanto, vale salientar que muitos líderes preferem ignorar esses alertas e seguir tomando decisões que são convenientes no curto prazo, mas que comprometem a sobrevivência a longo prazo. Um exemplo disso é quando se prioriza mudar o posicionamento da empresa de mercado aumentando os preços praticados e encobrindo assim a ineficiência que corrói toda a estrutura ou então a implementação de novas ferramentas internas para otimizar processos burocráticos, enquanto a experiência do cliente permanece negligenciada e que poderia ser tratada de forma efetiva se tivéssemos uma liderança apoiando todos nessa direção.
Quem nunca presenciou uma empresa efetuando investimentos em maquinário e ERPs sofisticados, automatizando procedimentos internos, mas não treinando a sua equipe tanto para o uso adequado quanto para um atendimento eficiente, deixando cada vez mais seus clientes insatisfeitos para contribuir diretamente com o aumento da taxa de churn e até a degradação da imagem externa.
Considere uma empresa que reconhece todas essas necessidades e a de aprimorar a comunicação e a postura ética de sua equipe para melhorar o atendimento ao cliente e a negligência, pois quando chega o momento de investir na capacitação dos colaboradores, os líderes alegam que "não há budget para isso", mas paradoxalmente, essa mesma empresa destina quantias significativas para programas de apoio a entidades externas, demonstrando uma preocupação social que, apesar de louvável, não deveria vir às custas de sua própria estrutura organizacional.
Essa falta de coerência na gestão de recursos não apenas prejudica a qualidade do serviço prestado, mas também afeta a moral da equipe, que percebe a discrepância entre discurso e prática. Em "A Riqueza das Nações", Adam Smith o filósofo criador do capitalismo argumenta que o progresso econômico é impulsionado pelo investimento racionado e pela busca da eficiência. Quando uma empresa falha em direcionar seus recursos de maneira lógica e estruturada, ela limita sua própria capacidade de crescimento e inovação.
Outro sintoma comum da incoerência estratégica é a gestão irracional de custos. Em muitas organizações, enquanto algumas áreas lutam para obter recursos básicos, outras gastam de forma descontrolada sem qualquer processo de verificação de retorno, quem nunca presenciou alocação de orçamentos enormes em campanhas que não move um milésimo de apoio a busca dos resultados.
Há casos de empresas que cortam custos em infraestrutura e tecnologias essenciais para operação, mas investem em eventos luxuosos ou campanhas publicitárias sem mensurar a eficácia dessas iniciativas. Essa falta de alinhamento e controle financeiro demonstra um descompasso entre necessidade real e decisão tomada e isso é sim um problema de COMPLIANCE.
Adam Smith ressaltava a importância da "mão invisível" que guia a economia pelo interesse próprio racional. No entanto, quando os líderes corporativos perdem a capacidade de avaliar racionalmente onde e como investir, criam um ciclo vicioso de desperdício e ineficiência.
Jim Collins, no estudo "Por que as Gigantes Caem", identificou que uma das principais causas do declínio das grandes empresas é justamente a falta de coerência nas decisões.
O excesso de confiança e a incapacidade de reconhecer falhas são fatores determinantes para o fracasso. Quando os líderes ignoram os sinais de alerta e se prendem a decisões irracionais, tornam-se vulneráveis à concorrência e às mudanças do mercado.
Para evitar esses erros, as organizações precisam redefinir sua abordagem de tomada de decisão em relação a esse tema em especial e a outros. Antes de tudo, é essencial que a empresa defina prioridades claras, garantindo que os investimentos sejam direcionados para as reais necessidades do negócio.
Em seguida, é indispensável avaliar constantemente o retorno sobre cada investimento realizado, evitando gastos desnecessários e incoerentes com os objetivos estratégicos.
Que fique claro que o desenvolvimento da equipe deve ser tratado como um investimento imprescindível, pois uma equipe bem-preparada e motivada reflete diretamente na satisfação do cliente e cuidado com esse ponto para não criar um ambiente onde se investe no colaborador e o perde ao longo do tempo para o mercado.
Além disso, penso ser necessário que a liderança adote uma postura corajosa e visionária, disposta a tomar decisões com base em uma estratégia de longo prazo, e não apenas em soluções paliativas, o apetite por risco de forma calibrada é um fator decisivo para uma liderança.
Por fim, a coerência entre discurso e prática deve ser uma prioridade absoluta, pois uma empresa que não cumpre o que prega, ou seja, que não vive os seus valores perde credibilidade e enfraquece sua identidade.
Estou convicto de que empresas que falham em reconhecer esses princípios estão fadadas a um ciclo de estagnação e ineficiência e a um futuro incerto. Assim, fica a pergunta: sua empresa está construindo um futuro sustentável ou apenas reagindo aos desafios do presente sem um rumo definido?



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