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O que sustenta a gigante Lenovo não é a tecnologia e sim a sua cultura de valor e resultado aplicado a tecnologia!

Estar na sede da Lenovo em Pequim nesse mês foi mais do que uma visita corporativa. Foi como abrir uma janela para o que é possível quando se constrói uma cultura de resiliência verdadeira, daquelas que não é só um valor pregado na parede, mas que transborda nas decisões, nos rituais e até na forma como os líderes falam sobre o próprio negócio.


Quando entrei no prédio com aquele logo vermelho e branco gigante fui recebido por uma equipe de especialista, nesse momento me lembrei que tudo começou há algo em torno de 45 anos atrás e com apenas 25 mil dólares, 11 engenheiros e um sonho meio improvável para os padrões da época. Uma empresa chinesa querer competir com gigantes globais de tecnologia nos anos 80? Imagina o tamanho da ousadia para tudo. Mas eles foram. Eles acreditaram. Eles caíram, tropeçaram, levantaram-se e seguiram.


Isso me fez pensar naquilo que sempre falo aos líderes e equipes com quem trabalho. Uma empresa de verdade é feita de gente que não desiste. Empresa que quer crescer precisa saber cair e levantar e não deixar de acreditar.


Resiliência não é um conceito bonito e vago como muitos gostam de falar por aí. Resiliência é um valor virtuoso, que aplicada cultiva uma virtude prática e essencial para quem está no mercado.


Ela se torna o motor de sustentação quando o dinheiro acaba, quando o mercado vira, quando o produto dá errado, quando a equipe não acredita mais, quando tudo conspira contra e você decide continuar. E foi esse espírito que presenciei na Lenovo.


Logo de cara, além da recepção fui impactado pelo que eles chamam de "Talent Philosophy". Que é representada por uma árvore, desenhada na parede do HQ que visitei, mas atenção, não é só um desenho. É a metáfora viva do jeito que eles pensam sobre o desenvolvimento das pessoas, e fazem questão de explicar cada parte.


No topo está o "Sky", a ambição que puxa para cima e não aceita pouco. As folhas são o aprendizado ágil, a capacidade de crescer, se adaptar e mudar sem medo. O tronco é a persistência, a força que segura firme quando os ventos apertam. E as raízes são a integridade, o que sustenta tudo quando a tempestade vem.


Olhei para aquilo e ouvindo a explicação deles, pensei que é exatamente o que buscamos quando trabalhamos a construção de uma cultura viva, sustentada por uma carta de valores e condutas.


Entendi também naquele momento, que o trabalho não é só ensinar técnicas, processos ou qualquer tipo de conteúdo. Era sobre cultivar sementes para que floresçam, deem frutos e resistam ao tempo.


Cada empresa, cada líder, precisa cuidar da sua própria semente. Precisa buscar a ambição de crescer, a flexibilidade para se reinventar, a persistência para não cair na primeira crise e a integridade para manter os princípios de pé.


Na Lenovo isso não é frase bonita. É regra. É critério para contratar, para promover, para dar bônus, para tomar decisão. Eles vivem isso no dia a dia. E foi ali, olhando para aquela árvore na parede, ouvindo as pessoas falarem do mesmo jeito, que eu vi a força dessa cultura.


Eles realmente transformaram princípios em prática, valores em decisão, crenças em comportamento. E isso é raro de ver. Aí você começa a entender como uma empresa dessas sobreviveu a tudo o que já passou.


Vamos pensar juntos, comprar a divisão de PCs da IBM em 2005 não foi um movimento simples. Foi como dizem, a cobra engolindo literalmente o elefante. Mas a Lenovo não só engoliu, como digeriu. E isso só acontece porque eles têm um framework estratégico que dá direção para tudo.


Como as coincidências raramente são por acaso, eles também usam um triângulo simples que representa, em cada ponta, um foco essencial que eles chamam de oportunidades, forças e recursos.


Eles olham para o mercado e fazem boas perguntas a seus clientes e após isso eles também perguntam internamente onde estão as chances reais de crescer à luz dessas das respostas dos clientes. Afinal, para eles faz parte do processo olhar para dentro e buscar entender no que são bons de verdade.


Mas não para aí, eles me disseram que também olham também para os recursos e analisam o que têm e o que precisam buscar fora. É um alinhamento estratégico simples e poderoso.


Essa forma de pensar orienta cada passo, cada movimento, cada decisão. Isso me fez refletir sobre o que também procuramos partilhar com líderes que acompanhamos. Porque no fundo, não se trata apenas de desenhar um negócio ou planejar um ciclo. É sobre ajudar a enxergar o que é oportunidade de verdade, onde estão as forças para sustentar o crescimento e o que precisa ser alavancado com humildade e foco.


Eles transformaram isso num ritual vivo. A única diferença que percebi é que são bem mais aplicados na disciplina do que muitos líderes que conheço. Acredito inclusive que isso vem da leveza e do foco pela prática oriental do confucionismo  que os chineses cultivam como cultura.


Percebi também que tudo isso acompanha um planejamento que acontece em um determinado período, mas o diferencial mesmo é que ele é alicerçado por uma prática diária, uma bússola que orienta o caminho e não deixa a empresa se perder no ruído ou na distração do mercado.


Outro ponto que me chamou atenção foi o modelo simples que eles usam para decidir, baseado em um outro tipo de framework, esse de verbos que são: "Build", "Leverage" e "Partner".


Antes de agir, a pergunta é sempre a mesma ligada aos verbos. Vale a pena construir do zero, podemos alavancar algo que já temos ou devemos buscar um parceiro. Foi através desse modelo que compraram a Motorola Mobility do Google em 2014, por aproximadamente 2,91 bilhões de dólares, uma decisão de "Partner" que ampliou sua presença no mercado global de smartphones.


Foi assim que eles também criaram as linhas de servidores, uma decisão de "Build". Foi assim que ampliaram a linha ThinkPad para ThinkBook, uma decisão de "Leverage".


Essa clareza promove exatamente o que vejo faltar em muitas empresas e líderes aqui no Brasil e que precisamos melhorar muito, pois muitas vezes o ego fala mais alto por aqui e o líder acha que precisa fazer tudo sozinho ou, pior, tenta reinventar a roda quando já tem o que precisa na mão.


A capacidade de escolher bem, de saber onde colocar energia, onde buscar ajuda, onde simplificar, é o que diferencia quem cresce de quem trava. Ver isso aplicado em uma gigante como a Lenovo confirmou algo que sempre digo que o simples funciona. E o simples funciona porque dá foco.


Outro ponto importante que me marcou foi o sistema de gestão deles. Eles dividem o negócio em quatro grandes blocos que caminham juntos. A Transformação é entendida como a velocidade necessária, escalar novas ideias rápido e com força. Performance é o negócio que dá lucro e sustenta a casa. Incubação é o futuro, onde experimentam, testam tecnologias novas, desafiam o mercado. Produtividade é o chão de fábrica, o dia a dia rodando com qualidade e eficiência.


E eu pensei, não dá para escolher um só. Quem escolhe um só, morre cedo. Você precisa cuidar do presente e do futuro, precisa inovar e entregar resultado, precisa ter excelência na operação e coragem para arriscar no novo.


A Lenovo entendeu isso. Eles são rápidos, mas são sólidos. Eles inovam, mas também sabem executar. Eles não se perdem na pressa e não ficam presos no passado. Essa capacidade de equilibrar múltiplos jogos ao mesmo tempo é o que sustenta o crescimento contínuo que essa empresa está fazendo e eu pude conhecer diversos protótipos que estão na esteira.


E por trás de tudo isso, o que costura cada decisão e cada ação é uma nova cultura, a da globalização da empresa. Eles falam de "Open", "Respect" e "Compromise". Abrir a mente para o novo, respeitar as diferenças, buscar o consenso sem imposição.


Parece simples, mas não é. Porque, na prática, quando uma empresa compra outra, o que se vê quase sempre é uma disputa de egos, um tentando dominar o outro. Na Lenovo, pelo que percebi, não.


Eles buscaram unir o melhor dos dois mundos. Têm até a frase na parede que diz "East meets West". E o mais surpreendente é que isso não fica só na parede. Vi isso no jeito que as pessoas falam, no jeito que as equipes se comportam, nas histórias que contam.


Eles entenderam que globalizar não é colonizar, é integrar. E essa é uma das maiores lições que levei de lá para ser aplicada em casos de fusões e aquisições, pois a cultura é o motor invisível dessa empresa. Você pode ter o melhor produto, o melhor processo, a estratégia mais bem desenhada, mas se a cultura não sustenta, não vai. E a Lenovo provou que cultura não é um acessório, é o sistema operacional da empresa.


Saí de lá pensando que a Lenovo não cresceu apesar dos problemas. Cresceu por causa deles. Cresceu porque transformou cada desafio em aprendizado. Cresceu porque entendeu que uma empresa é feita de gente. E gente precisa de ambição para crescer, aprendizado para se reinventar, persistência para não cair na primeira crise e integridade para manter os princípios de pé.


Cresceu porque teve a coragem de parar e perguntar se era hora de construir do zero, alavancar o que já tinha ou buscar um parceiro. Cresceu porque criou sistemas que ajudam a equilibrar presente e futuro. Cresceu porque manteve uma cultura de resultados e valores viva, conectando o melhor do Oriente com o melhor do Ocidente.


Sou #grato à #equipe da Lenovo que me recebeu com generosidade e abertura, permitindo que eu vivenciasse de perto essa cultura tão singular e inspiradora.


Voltei para o Brasil com a certeza de que o jeito de pensar, de fazer perguntas certas, de transformar princípios em prática, de aplicar a educação, é o que devemos procurar cultivar junto as empresas e mercado.


Ajudar a construir árvores fortes à luz das melhores semente, a escolher onde investir, onde simplificar, onde buscar alianças. Ajudar a criar sistemas que garantam que o presente não engula o futuro.


Ajudar a manter a cultura viva e forte. Ver tudo isso de perto, numa empresa como a Lenovo, foi um lembrete poderoso de que não estamos no caminho certo por acaso e sim porque nós cultivamos um sistema que foca no que realmente importa.


Estamos no caminho que dá certo. Porque no fim, o que constrói uma empresa não é dinheiro, não é tecnologia, não é o tamanho do mercado.


O que constrói uma empresa são as pessoas certas, com os valores certos, fazendo as perguntas certas, na hora certa, para realizar o que verdadeiramente importa. 


Keine Alves

Líder Educador e pesquisador


 
 
 

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