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O perigo invisível ao seu negócio!


Nas últimas décadas, notamos claramente que o panorama das teorias de gestão vem sofrendo uma evolução significativa, com novos modelos emergindo em resposta às mudanças dinâmicas no mercado, na sociedade e na economia de um modo geral.


Contudo, apesar dessas inovações, o modelo de comando e controle, uma relíquia dos primórdios da industrialização, ainda persiste em muitas empresas, claro que em intensidades diferentes, mas ele ainda está por lá.


Este artigo visa provocar uma reflexão crítica sobre este modelo tradicional que é patrocinado por várias lideranças, explorando inclusive como esse modelo de gestão pode limitar a flexibilidade organizacional, sufocar a inovação e comprometer a eficácia da gestão moderna.


Ou seja, o objetivo aqui também é demonstrar como muitos de nós ficamos craque em autossabotagem, mas tenho a convicção comigo que este modelo é fruto de uma certa ignorância (aquele estado de não sei que não sei) em função também de uma certa teimosia, causada muitas vezes pela perturbação mental que muitos líderes e liderados sofrem diante das intempéries do mercado e dos pontos que revelaremos ao final desse, vamos aos pontos...

 

A Ilusão do controle total


A obsessão por um controle meticuloso sobre todos os aspectos das operações de uma empresa pode parecer, à primeira vista, um método para garantir eficiência e ordem que muitos líderes acreditam.


No entanto, essa abordagem traz consigo uma série de limitações. Primeiramente, ao centralizar as decisões, o modelo de comando e controle reduz a capacidade de resposta das organizações às rápidas mudanças do mercado.


A tomada de decisão se torna um gargalo, onde a aprovação precisa escalar uma hierarquia rígida, retardando reações que poderiam ser instantâneas e mais eficazes se descentralizadas e aculturadas nas equipes.


Além disso, essa necessidade de controle absoluto pode ser prejudicial à inovação. Em um ambiente onde cada passo deve ser aprovado por várias camadas de gestão, a iniciativa individual é sempre desencorajada inclusive de forma indireta.


Os colaboradores, cujas ideias poderiam resultar em inovações significativas, frequentemente optam por não compartilhar suas visões ou explorar novas abordagens, temendo a rejeição ou a falta de apoio, mas em alguns casos isso vira um costume de fuga da responsabilidade e do trabalho de alto risco.


A literatura sobre gestão está repleta de exemplos em que empresas perderam oportunidades de mercado significativas devido à sua incapacidade de se adaptar rapidamente.


Por exemplo, muitas empresas que não conseguiram inovar e adaptar-se às novas demandas digitais viram suas posições de mercado erodirem rapidamente para concorrentes mais ágeis e menos hierárquicos.

 

O fácil processo da erosão da confiança


Um dos aspectos mais prejudiciais do modelo de comando e controle é a erosão da confiança que ele frequentemente promove dentro das organizações. Quando os líderes não confiam em suas equipes para tomar decisões ou gerir suas próprias tarefas, estabelece-se um ciclo de desconfiança que se autoalimenta.


Essa microgestão que se dá pelo controle exacerbado revela o grau de confiança que existe entre líderes e liderados que geralmente é muito baixo e com isso temos os incrementos da desmotivação dos que participam das atividades, pois intrínseco a isso temos também o ponto da subestimação da capacidade de comprometimento, o que pode levar a um ambiente de trabalho cada vez mais tóxico, onde as pessoas chegam com energia e saem sem energia nenhuma até a hora que o sistema muda a direção da força de produção para o sentido negativo.


A desconfiança cria barreiras invisíveis que dificultam a comunicação eficaz e a colaboração entre equipes e departamentos. Estudos indicam que organizações com altos níveis de confiança têm melhor desempenho, pois promovem um ambiente mais colaborativo e aberto à inovação.


Por outro lado, um ambiente onde prevalece a vigilância constante e o controle rígido tende a ser marcado pelo medo de cometer erros, o que paradoxalmente leva a mais falhas e menos disposição para assumir riscos calculados.

 

O desperdício da inteligência humana


O modelo de comando e controle não apenas deteriora a relação de confiança entre gestores e equipes, mas também leva ao desperdício da inteligência humana. Em um sistema onde todas as decisões importantes são centralizadas, as habilidades e o conhecimento dos colaboradores, muitas vezes não são aproveitados ao máximo.


Este cenário é especialmente prejudicial em setores que dependem fortemente da inovação e da criatividade para se manterem competitivos.


Por exemplo, em indústrias criativas e negócios únicos como a tecnologia e a gestão de marcas, o design, a capacidade de experimentar e somar é crucial.


No entanto, sob um regime de comando e controle, os processos tendem a ser engessados, e o medo do fracasso inibe a experimentação. Isso resulta em produtos e serviços que podem estar desatualizados mesmo antes de seu lançamento, pois não incorporam as últimas tendências ou ideias inovadoras.


Além disso, a falta de oportunidade para os colaboradores se expressarem e contribuírem com suas ideias pode levar a uma desmotivação generalizada, aumentando a rotatividade, reduzindo a lealdade à empresa ou então mantendo um monte de mortos vivos que tanto faz se eles estivessem ali ou não, pois se tornaram peças que podem ser trocadas de alguma forma.

 

A desmotivação e o desengajamento


A consequência natural da microgestão e da subutilização dos talentos é a desmotivação e o desengajamento dos colaboradores.


Quando as pessoas sentem que suas capacidades não são valorizadas ou que não têm espaço para crescer profissionalmente, elas naturalmente se desinteressam pelo trabalho.


Pesquisas indicam que o desengajamento é um dos maiores custos ocultos para as empresas, pois está diretamente relacionado a uma produtividade mais baixa e a um maior absenteísmo e presenteísmo.


Empresas que persistem em práticas de comando e controle frequentemente enfrentam desafios significativos ou deveriam, para manter seus colaboradores motivados e comprometidos.


A longo prazo, isso pode ter um impacto devastador na capacidade da empresa de atrair e reter talentos, especialmente em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo onde os melhores profissionais buscam ambientes que ofereçam mais autonomia e oportunidades de desenvolvimento.

 

Para pensar e refletir para valer


A motivação deste artigo é fazer com que todos os líderes e liderados que são leitores pensem e reflitam sobre os desafios significativos e as limitações impostas pelo modelo de gestão de comando e controle dentro de suas empresas de alguma forma.


Acredito que com o que foi descrito sobre esse modelo, você que é líder, liderado, gestor e até empresário consegue detectar tal modelo e pode ao menos conversar com os seus...


Atenção nesse assunto, isso é realmente sério e pode acabar com a sua empresa!


Como? Sufocando o seu negócio, o desenvolvimento dele e a sua inovação, além de erodir a confiança, desperdiçar a inteligência humana e desmotivar as suas equipes, levando a sua vida empresarial a um ciclo vicioso de desengajamento e ineficácia.


Vale comentar que infelizmente uma das consequências que também surge é a nossa perturbação mental, aquela que já vivemos pela cobrança da nossa própria consciência astuta, que busca nos levar e avançar em nossas vidas para um outro patamar.


Não se iluda, você é esse momento o problema!


Não perca seu tempo colocando o problema no mercado, no cliente, no governo, no Brasil, nos seus colaboradores e sim em você que precisa mudar isso...


Tenha coragem e peça ajuda e saiba lidar com ela, conheço vários casos que pediram ajuda, mas no fim, eles mesmos paravam a atividade e se sabotavam, não é à toa que muitas empresas começam várias coisas e nunca terminam nada!


Em um mundo que se valoriza a agilidade, a criatividade e a colaboração, persistir em práticas obsoletas de gestão não é apenas ineficaz, é um risco estratégico. Portanto, convido você, líder ou gestor que lê este texto, a refletir profundamente sobre suas próprias práticas de liderança.


Tenha coragem e pergunte-se: "As estruturas de comando e controle em minha empresa, patrocinadas por mim, estão realmente contribuindo para o sucesso, ou estão impedindo que exploremos todo o potencial de nossa equipe e de nossos clientes?


A capacidade de questionar e reavaliar nossos métodos de liderança pode ser o primeiro passo para uma transformação significativa, que não apenas melhore a eficiência e inovação, mas também fortaleça a cultura organizacional e aumente a satisfação dos colaboradores e clientes e consequentemente nossos resultados.


Em vez de impor controle, podemos nos esforçar para cultivar confiança e empoderamento, elementos que são indispensáveis em uma cultura corporativa que se adapta e prospera diante dos desafios contemporâneos.


Com esse convite à reflexão, encerro esse artigo, com a esperança de que ele sirva como um catalisador para mudanças positivas em sua liderança e gestão, pois faz parte do meu propósito cultivar a vida em abundância nas pessoas a minha volta.

 

Keine Alves 

Líder educador e pesquisador


 
 
 

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